Na qualidade de docente de Inglês do ensino secundário, tive recentemente a oportunidade de assistir e acompanhar uma experiência pedagógica verdadeiramente enriquecedora, no âmbito da iniciativa promovida pela Câmara Municipal do Porto e pela Universidade do Porto, designada “Aulas sem Fronteiras”. Esta iniciativa decorreu no dia 11 de maio, na turma do 10.º CT2, à semelhança do que já havia acontecido no 1.º período com as turmas 10.º LH1 e 12.º LH1 e LH2, e foi dinamizada por um estudante turco do ensino superior, atualmente em mobilidade internacional, que aceitou o desafio de lecionar uma aula em contexto real.
Desde o início, a expetativa dos alunos era elevada. O simples facto de terem contacto direto com um jovem universitário estrangeiro gerou curiosidade e entusiasmo, criando um ambiente favorável à aprendizagem. A aula foi conduzida integralmente em inglês, o que constituiu, por si só, uma mais-valia significativa, permitindo aos alunos experienciar a língua em contexto autêntico e com um falante não nativo, mas fluente.
O tema abordado centrou-se na interculturalidade, com especial enfoque na cultura turca. O estudante estruturou a aula de forma dinâmica, combinando momentos expositivos com atividades interativas. Recorreu a recursos multimédia, como apresentações visuais e pequenos vídeos, que ilustraram aspetos da história, da gastronomia, das tradições e do quotidiano na Turquia. Esta abordagem captou imediatamente a atenção dos alunos, que se mostraram participativos e interessados ao longo de toda a sessão.
Um dos pontos altos da aula foi o momento de diálogo aberto, em que os alunos puderam colocar questões diretamente ao orador. Este momento revelou-se particularmente rico, não só do ponto de vista linguístico, mas também ao nível do desenvolvimento de competências sociais e interculturais. Os alunos demonstraram crescente confiança na comunicação em inglês, superando receios e envolvendo-se de forma espontânea na interação.
Do ponto de vista pedagógico, esta experiência evidenciou a importância de abrir a sala de aula a novas realidades e perspetivas. A presença de um elemento externo ao contexto escolar habitual trouxe autenticidade ao processo de ensino-aprendizagem, reforçando a relevância do inglês como língua de comunicação global. Para além disso, permitiu aos alunos compreender que a aprendizagem de uma língua estrangeira vai muito além dos conteúdos programáticos, sendo uma ferramenta essencial para o contacto com o outro e para a construção de uma cidadania global.
Enquanto docente, considero que esta “Aula sem Fronteiras” constitui um exemplo claro de boas práticas educativas. A articulação entre diferentes níveis de ensino, aliada ao contexto internacional do convidado, resultou numa experiência motivadora e significativa para os alunos.
Em suma, esta atividade contribuiu para enriquecer o percurso formativo dos alunos, não apenas ao nível linguístico, mas também no que respeita à abertura ao mundo e ao respeito pela diversidade cultural. Iniciativas desta natureza devem, na minha opinião, ser valorizadas e incentivadas, pois representam um passo importante na construção de uma escola mais inclusiva, inovadora e ligada ao contexto global.