No dia 19 de maio, a biblioteca da Escola Secundária Carolina Michaëlis foi palco de uma releitura inovadora de Memorial do Convento, de José Saramago, sob a ótica da Filosofia. Através de uma conversa conduzida pela professora Vera Barbosa — que contou com a colaboração da professora-estagiária Leonor Neves e dos professores Maria João Torrão, José Valente e Ângela Tavares —, os alunos das turmas 12.º LH2 e 12.º SE1 foram desafiados a olhar para a obra do nosso Nobel não apenas como um romance histórico, mas como um verdadeiro tratado filosófico sobre a vida humana, no qual a arte, em particular a música, surge como uma forma de transcendência e resistência.
Entre leituras de excertos do romance e referências a filósofos como Schopenhauer, Nietzsche e Heidegger, debateu-se o papel da arte na nossa vida. Concluiu-se que, da mesma forma que a música do cravo de Domenico Scarlatti serviu de alimento espiritual a Baltasar, Blimunda e ao Padre Bartolomeu Lourenço na sua busca pelo sonho de voar e funcionou também como cura para a doença de Blimunda, a melodia das palavras de Saramago oferece-se-nos hoje como um mapa para compreender a humanidade e como cura espiritual num mundo que continua perverso e violento, embora vestindo roupagens distintas.
Este encontro deixou claro que ler Saramago à luz da Filosofia é um desafio pertinente e atual e que, tal como Baltasar e Blimunda precisaram da música e do sonho para se elevarem acima da miséria, também nós dependemos do pensamento crítico e da arte para preservar a nossa própria humanidade.